O comércio varejista fechou 108,7 mil lojas, cortou cerca de 182 mil postos de trabalho em 2016 e terminou o ano passado como o pior da história. Esses são os dados de um levantamento feito pela CNC (Confederação Nacional do Comércio), divulgada nesta segunda-feira (13) pelo jornal O Estado de S. Paulo.

A pesquisa, feita com base nos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), mostra que o setor conseguiu ficar abaixo dos já negativos resultados de 2015. Somando os dados dos dois anos, foram mais de 200 mil negócios desativados e quase 360 mil demissões.

O baixo volume de vendas foi um dos grandes responsáveis pelos números. Segundo os últimos dados do IBGE, de novembro, houve queda de 8,8% no ano e de 9,1% nos 12 meses anteriores. Com um Natal pouco movimentado, a conta muitas vezes não fechou.

“O comerciante só fecha loja quando está desesperançoso com a situação e não volta abrir tão cedo”, afirmou Fabio Bentes, economista da CNC e responsável pelo estudo, ao Estado de S. Paulo. “Foram três recordes negativos em 2016”, completou.

Segundo o levantamento, todos os segmentos varejistas fecharam mais lojas do abriram em 2016 – empresas do setor de vestuário e calçados foram, atrás de hipermercados e supermercados, as maiores vítimas: um saldo negativo de 20,5 mil.

A Lojas Marisa, por exemplo, fechou cinco lojas em 2016 e abriu uma. A direção da rede, que tem hoje quase 400 lojas, diz que avalia neste ano se vale a pena manter a operação de 20 pontos de venda.

Setores movidos a crédito, como revendas de automóveis, móveis e eletrônicos diminuíram o número de pontos de vendas. A Via Varejo, dona da Casas Bahia e do Ponto Frio, por exemplo, fechou 23 lojas de janeiro de 2015 a setembro de 2016.

As maiores prejudicadas foram as micro e pequenas empresas. O entre fechamento de lojas e inaugurações, o saldo ficou bastante negativo: 72,3 mil lojas a menos. Embora a diferença para as grande companhias tenha sido de mais da metade, elas também sofreram com a crise – 36,4 mil negócios a menos, sendo 12,9 mil médias empresas.

As projeções da CNC para 2017, porém, são um pouco mais positivas – não necessariamente porque a conjuntura econômica do Brasil melhore, mas porque os resultados no ano passado foram tão ruins que dificilmente conseguirão ficar ainda piores.

No início de janeiro, o Grupo Seta, que contava com 50 lojas de atacarejo em três estados brasileiros, fechou 28 unidades. Só em São Paulo, sete lojas foram desativadas e 1180 trabalhadores perderam seus empregos. Por meio de nota ao jornal O Estado de S. Paulo, a companhia explicou que o grupo começou as atividades em 2008 e teve uma expansão rápida, mas dependente do crédito. Com as restrições nos empréstimos bancários por causa da crise, a empresa teve de reduzir a operação para se reorganizar.

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