Os princípios mais básicos do que se pode chamar de liberdade dizem respeito ao direito à individualidade. Ninguém, sob qualquer hipótese, pode ditar a maneira como alguém pensa, caso contrário configura-se uma exceção do estado de direito e, portanto, ditadura.

O filme “Trumbo”, rodado em 2015, fala sobre detalhes de como Dalton Trumbo se tornou vítima de um grupo de radicais de extrema direita, que focalizou em Hollywood o centro de um movimento antiamericano, a partir de fundamentos da política comunista, disseminados entre ex-partidários do Partido Comunista Americano.

A este partido se juntaram membros da sociedade, em um momento da história onde Estados Unidos e União Soviética se tornaram aliados para combater as forças nazistas em guerra na Europa. Mas, próximo ao fim da guerra, esta aliança ficou azeda e o ódio em ambos os lados começou a se formar o que se chamou depois de “guerra fria”.

Alguns militares do alto escalão do exército americano queriam se engajar contra o exército soviético, mas foram contidos. Isso não impediu que políticos radicais de direita vissem no comunismo uma forma de destruição da vida americana e iniciassem um movimento de caça às bruxas.

O filme mostra Edward G. Robinson dedurando Trumbo para salvar a própria pele, mas Humphrey Bogart e Lauren Bacall o defendendo com veemência

Dalton Trumbo e vários outros roteiristas foram chamados de “traidores” e acusados de tentar transformar seus filmes em mensagens pró-comunistas. Um dos efeitos colaterais da campanha contra ele e os demais foi a inclusão de seus nomes em uma lista negra, distribuída aos estúdios, que os impedia de continuar trabalhando em filmes.

“Trumbo” relata esta história de forma quase documental. O filme explorar as nuances da carga da perseguição contra os chamados “10 de Hollywood”, em um processo de vigilância infatigável.

Eu recomendo este filme a todos aqueles que se interessam pela história do cinema americano em solo Hollywoodiano. Nele é possível ver a ação da colunista Hedda Hopper, uma mulher que não poupava esforços para destruir a vida de quem ela quisesse, sem se importar com as consequências de seus atos.

A mulherzinha atirava para tudo quanto era lado. Em uma cena do filme, Hedda ameaça Louis B. Mayer de expor suas origens judias e o seu nome judeu verdadeiro, caso ele não demitisse Dalton Trumbo, um de seus melhores e mais bem pagos roteiristas.

Kirk Douglas e Dalton Trumbo

A associação entre o ator Kirk Douglas e o roteirista Dalton Trumbo já foi alvo de comentários desta coluna, quando foi abordada a restauração mais recente do filme Spartacus. Lá o leitor pode ver anotações sobre a produção e como Douglas peitou a lista negra ao dar créditos aos autores do romance e do roteiro.

Douglas foi salvo pela produção independente da qual se serviu para tomar decisões de forma mais firme, inclusive e principalmente perante a direção do estúdio, cujo encarregado de produção Edward Muhl receava que o filme fosse boicotado.

Todos os pedidos para demitir Trumbo foram rejeitados por Douglas e logo a seguir Trumbo seria alvo da atenção do excêntrico diretor Otto Preminger, que também deu-lhe crédito pelo roteiro de seu novo filme Exodus, reconhecido por ele mesmo como uma grossa porcaria, a respeito da criação do estado de Israel, com o uso de luta armada. De fato, o filme era uma droga, cheio de tendenciosidade e distorção histórica, e a gente só lembra mesmo da música tema.

Todos os pedidos para demitir Trumbo foram rejeitados por Kirk Douglas

O que importa, entretanto, é que o reconhecimento de Douglas Trumbo novamente como roteirista, e não com o subterfúgio dos pseudônimos anteriores, acabou por desmoralizar a lista negra criada na década de 1940.

Hollywood e seus problemas

É fato histórico que Hollywood foi criada por pessoas que queriam se livrar das garras de Thomas Edison, o controvertido inventor que queria monopolizar a produção de filmes.

Mas também é fato de que vários emigrantes judeus, que pouco ou nada tinham a ver com o cinema ou com a produção de filmes, viram na criação dos estúdios uma forma de fazer fortuna rapidamente.

No filme “Trumbo”, Hedda Hopper ameaça L. B. Mayer e outros poderosos chefes de estúdio em publicar seus verdadeiros nomes, junto com a verdadeira origem de cada um deles, denunciando assim o caráter mercantilista e não artístico na criação dos estúdios.

L. B, presidente da M-G-M, e um dos maiores salários de Hollywood, era filho de um dono de ferro velho. Muitos desses donos ou chefes de estúdio se escondiam através de nomes criados para disfarçar as suas origens de imigrantes, em uma época em que o antissemitismo estava bastante presente na vida dos americanos.

Atores imigrantes judeus ganharam fama no cinema de Hollywood com nomes falsos. Kirk Douglas foi um deles. Mas as reações contra a falta de expressão e a falta de garantia do direito político variavam entre eles. No filme sobre Trumbo mostra-se Edward G. Robinson dedurando Trumbo para salvar a própria pele, mas Humphrey Bogart e Lauren Bacall o defendendo com veemência.

Hollywood fez nascer a fama de pessoas que viraram celebridades, mas dentre elas o número de vítimas do esquecimento foi alto. Muitos atores ficavam (e ainda ficam) sem trabalho por longo período de tempo.

Muitos, como Judy Garland, não aguentavam a pressão no ambiente de trabalho e se tornaram escravos de pílulas e outros medicamentos. A dependência nas drogas para trabalhar levou muitos à depressão e ao estresse, como era de se esperar, e levando-os à morte prematura, como foi o caso de Judy Garland.

“Trumbo”, o filme, mostra tudo isso, em meio ao processo de alienação ao qual o personagem-título foi submetido. Para quem estuda cinema ou se interessa em conhecer detalhes do ambiente, e das implicações sobre a vida dos envolvidos, este é um filme que, na minha opinião, não deve ser perdido. [Web]

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